Seis meses após o transplante

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Seis meses após o transplante

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maio,2016
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Pois é, estamos completando na primeira semana de maio seis meses do transplante de medula óssea, onde Arthur doou um pouco de sua vida pela continuidade da vida de seu irmão Paulinho que estava combatendo uma leucemia recidiva.

Ao longo desse tempo, que para nós parecem seis anos, muita coisa aconteceu. Perdemos alguns amigos de tratamento, uma inclusive que nos trouxe uma imensa dor, nossa amada Bebella, que já era parte de nossa família. Não contamos ao Paulinho que ela está com Papai do Céu, afinal ele gosta muito dela e era sua companheira de tratamento. Não queremos que ele tenha, aos seus quase seis anos, a real noção do que essa maldita doença é capaz de fazer.

Quando se realiza um transplante de medula óssea, é como se colocasse um novo corpo naquela medula. É então necessário fazer o uso de medicações que deixem a atividade do sistema imunológico calmo, lento, pois assim evitamos que os órgãos sejam atacados pela “nova turma de anticorpos” produzidos pela nova medula. Entre as medicações que tomamos, tem o corticoide que, alem de inchar, aumenta o apetite e a irritabilidade. Chegamos a reduzir a quase zero os níveis desses corticoides, mas “a medula gritou”, Paulinho apresentou sinais de doença enxerto contra hospedeiro, também conhecida como DECH (pronuncia-se dechi), um sinal de que a medula não estava reconhecendo seus órgãos. A princípio ocorreu com a pele e estômago em grau um. Com isso voltamos ao uso do corticoide. Já estávamos reduzindo novamente quando a DECH voltou. Tivemos hoje, dia 04 de maio, a notícia que teremos que voltar a níveis maiores de corticoides.

Essa notícia nos abalou um pouco, pois sabemos o mal que essa medicação faz a ele. Aumento da pressão arterial que chega ao ponto de precisar de dois remédios para que consiga manter sob controle, uma grande irritabilidade, aumento de peso. O importante é tratar e aos poucos ir tirando e ficar livre logo dos corticoides.

Pôr do sol

Um passeio perto de casa para ver o sol ir descansar.

Aos poucos voltamos com algumas rotinas normais de nossa vida, entre elas poder passar alguns dias em nossa casa, com visitas de manutenção mais espaçadas, a cada quinze dias. Estamos nos preparando para iniciar o calendário de vacinação dele, onde terá que tomar todas as vacinas novamente. Ainda não sabemos a data que estaremos liberados a iniciar essa imunização, mas concluindo esse calendário poderá voltar a encontrar crianças e poder brincar novamente com amiguinhos.

Paulinho tem sentido muito falta de colegas, escola, rotinas de crianças, mas depois de tudo que vivemos e por estar tão perto de poder voltar à vida normal, acabamos por compensar com mais presença, parceria, amizade, amor.

Estamos ainda mais unidos, confiantes e certos de que esses últimos seis meses são apenas o início de uma vida nova e plena onde poderemos realizar qualquer sonho, pois aprendemos que precisamos esticar nossos limites quando se diz respeito a lutar pelo melhor.

Sobre o Autor

Author
Octavio Fernandes
Analista de Sistemas acabei extrapolando um pouco meus horizontes. Gosto de observar e analisar tudo que vejo, ouço e sinto. Acredito que a vida é muito mais que estudar, trabalhar, ganhar dinheiro... a vida é para ser curtida em todos os momentos, até nos mais difícieis! E olha que disso entendo...